BASTARIA ISTO – do livro “Vinde a Mim”

O ponto sublimado da caridade

“O ponto sublimado da caridade, nesse caso, estaria em procurar ele no seu trabalho, pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de seus talentos, os recursos de que carece para realizar seus generosos propósitos.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIII – Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.)

Muitos, infelizmente, são assim: preocupam-se em se entregarem à prática do Bem aos semelhantes, sem, contudo, oferecerem a eles o melhor de si mesmos em suas atividades profissionais.

Como se isto fosse possível, buscam cumprir com as suas obrigações espirituais, preconizadas pela crença religiosa que abraçam, mas, falhando pela base, não se esmeram no cumprimento de seus mais comezinhos deveres sociais.

Contudo, o mundo está repleto de pessoas assim, que, por detrás de uma mesa ou de um balcão de atendimento aos outros vivem a se contradizer no que pregam da tribuna, ou no que, superficialmente, demonstram nos cultos de fé que costumam frequentar.

Se cada qual apenas buscasse se desempenhar de suas responsabilidades nos encargos terrestres que lhe são confiados, tratando a quem lhe recorre aos préstimos profissionais, com a atenção que a simples educação formal nos recomenda tratar o próximo, no relacionamento comum, talvez a própria caridade pudesse ser dispensada de sua prática.

Porque, a rigor, a caridade é obrigada a entrar no vácuo das obrigações que o homem não consegue atender em relação aos semelhantes, não por um arroubo de generosidade de sua parte, mas simplesmente por uma questão de justiça e honestidade.

Não há como doar-se a Deus, negando-se ao próximo.

Se todos se deixassem possuir em seus gabinetes de trabalho pela mesma devoção que, comumente, possuem nos templos em que buscam proferir as suas orações, bastaria isso para que, sem maiores sacrifícios, o Reino de Deus começasse a se viabilizar para toda a Humanidade.

E se o homem não se despisse de sua consciência religiosa na vida diária, e, onde estivesse, procurasse ser para com o próximo o que busca ser para com Deus, todas as demais austeras disciplinas espirituais de evolução lhe seriam dispensadas, porque, então, somente cumprindo com o dever que lhe é óbvio, para o qual, quase sempre, é regiamente remunerado, ele estaria atendendo a todas elas.

No entanto, equivocadamente, o homem continua a achar que lhe é possível separar a sua vida espiritual de sua vida terrena na convivência com os semelhantes, na ilusão de que, na sua escalada para os céus, ele possa vir a se utilizar de uma escada destituída de degraus.

Foi isso que, em relação aos escribas e fariseus, homens arraigadamente religiosos de seu tempo, levou Jesus a advertir às multidões e aos discípulos: “Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem; porém não os imiteis nas suas obras, porque dizem e não fazem”.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)