Angústia e Espiritismo – O Evangelho Segundo o Espiritismo

1) O que se entende por angústia?

A angústia, proveniente do latim angustia, significa estreiteza, espaço reduzido, carência, falta. É um sentimento que paralisa a vida psíquica racional e consciente. É o medo vago ou indeterminado, sem objeto real ou atual.

2) A angústia é apenas dos nossos dias?

Não. Platão, na “Alegoria da Caverna”, mesmo que indiretamente, vislumbrava o problema da angústia, principalmente na sua distinção entre o mundo sensível e o verdadeiro, localizado no mundo espiritual. Para consegui-lo, o indivíduo deveria passar das trevas da caverna à luz do dia. Cícero, por sua vez, define a angústia como lugar estreito, a dificuldade, a miséria a falta de tempo. Nessa mesma linha de pensamento, Sêneca propõe a tranquilidade da alma para os revezes das aflições. (1)

3) Como a angústia está posta na filosofia?

Filosoficamente, a angústia é o sentimento do nada. Ela domina toda a temática da filosofia existencialista, nomeadamente Kierkegaard, Heidegger e Sartre. Todos eles dão à angústia um valor exagerado, principalmente pelo enfrentamento do nada que se nos espera além-túmulo.

4) Como a angústia se expande no campo médico?

Para a medicina, a angústia, juntamente com a depressão, é a resposta do homem frente às diversas pressões do mundo contemporâneo. Os meios de comunicação, para expressá-la, usam os seguintes temos: estresse, tensão, síndrome do pânico, transtorno bipolar etc. (1)

5) Como a angústia foi interpretada pela psicologia?

Psicologicamente, a angústia diz respeito ao futuro, à expectativa. É isso o que torna difícil vencê-la: como se precaver contra o que ainda não é, contra o que pode ser? Quer dizer, enquanto vivemos na expectativa, tanto o futuro quanto a serenidade estão fora de alcance. (2)

6) Ansiedade é sinônimo de angústia?

Não. A ansiedade pende mais para a psicologia do que para a filosofia. É muito mais um traço de caráter do que uma posição existencial, muito mais uma essência do que uma experiência, muito mais uma disposição patológica do que ontológica. O ansioso está sempre com o medo à frente. Ele verifica três vezes se fechou a porta, teme ser seguido ou agredido. Toma para si um arsenal de precauções que só fazem aumentar esse medo. (2)

7) Como a angústia aparece no Cristianismo?

Para o Cristianismo, o ser humano vive no meio das trevas, do mal, o que gera angústia. Nesse caso, é pela fé cristã que o ser humano poderá se livrar das aflições da carne. Na Bíblia, fala-se da angústia máxima vivida por Jesus, em que precisou orar três vezes.

8) Relacione angústia e salvação.

Para o Espiritismo, salvar-se é aperfeiçoar-se, a fim de não cairmos em estados de angústia e depressão após o transe da morte. Para isso, temos que nos libertar dos erros, das paixões insanas e da ignorância.

9) Duvidar da vida futura pode gerar angústia?

Sim. Pelo simples fato de duvidar da vida futura, o homem dirige todos os seus pensamentos para a vida terrestre. Sem nenhuma certeza quanto ao porvir, dá tudo ao presente. Nenhum bem divisando mais precioso do que os da Terra, torna-se qual a criança que nada mais vê além de seus brinquedos. E não há o que não faça para conseguir os únicos bens que se lhe afiguram reais. A perda do menor deles lhe ocasiona uma tremenda angústia. (3)

10) A angústia existe em mundos mais evoluídos?

Como em mundos mais evoluídos os Espíritos pensam mais no bem do que no mal, a angústia é mínima ou quase inexistente, porque já compenetrados dos ensinamentos do Cristo, darão maior valor à vida espiritual do que à vida material. (3)

11) Como vencer a angústia e a influência de Espíritos menos felizes que nos impulsionam ao mal?

A prece é a primeira das armas. Depois, vem a fé, pois ela é o remédio seguro do sofrimento. Para complementar, estejamos sempre em estudo, em comunicação constante com os Espíritos de luz. Somente assim, estaremos sempre sendo influenciados pelos Benfeitores da paz.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39